
A Questão e a Resposta
A Questão e a Resposta
Resolvi falar sobre a questão que levantei no primeiro questionário do primeiro semestre "Registe uma pergunta relacionada com a disciplina que gostaria de ver respondida.". Algo que respondi com "o que é que leva as pessoas a prejudicarem-se umas às outras".
Sinceramente, admito que não pensei muito na pergunta quando a expus e agora que a revejo fiquei a pensar que é um pouco básica e constringente. De qualquer modo, penso que ao longo do meu percurso nesta disciplina consegui chegar a uma espécie de resposta que, apesar de não explicar totalmente o porquê, pois existem várias situações diferentes das abordadas nesta página, responde a grande parte das circunstâncias englobadas pela questão. A partir desta página tentarei explicar o "mal" com conceitos que nos foram ensinados pela professora e através da minha perspetiva. Eu também evitei utilizar recursos da internet para responder a esta questão.

Para procurar a tal origem da "maldade", podemos olhar para os animais, porque estes competem entre si, por vezes até a morte, de modo a obterem comida, território ou para terem o direito de acasalar. Pessoalmente, acredito que o "mal" surgiu devido a estes tipos de competições, isto é, que o mal no início não era nada mais nada menos que o conceito de "lei da selva" (os mais aptos sobrevivem e evoluem, enquanto os outros morrem ou são extintos), que com o desenvolvimento da nossa espécie foi-se corrompendo e distorcendo devido à complexa mente humana, ou seja, a antiga mentalidade de "apenas sobreviver e reproduzir" tranformou-se numa mais complexa e, portanto, mais propícia a resultar nos tais acontecimentos perversos. Um exemplo poderá ser: "antigamente as mulheres eram rebaixadas pelos homens", no entanto, é sempre benéfico para uma sociedade dar as mesmas oportunidades a cada um dos seus integrantes, pois fortalece o desenvolvimento desta, o que sugere, na minha opinião, o facto de esta ocorrência não estar suportada pela tal temática da "sobrevivência".
A meu ver, alguns dos mecanismos que explicam o mal na nossa sociedade são os conceitos da influência social, que demonstram também o facto de, por vezes, agirmos de maneira mais maligna do que o normal (efeito Lúcifer). De uma modo mais específico, quando estamos em grupo podemos agir de maneiras antes consideradas impossíveis por nós, como é o exemplo dos soldados Nazis na Segunda Guerra Mundial, pois, estes agiram de maneira maldosa devido, em parte, à "obediência", que levou alguns destes soldados, originalmente bons a cometerem atrocidades devido às ordens de Hitler, graças à visão que tinham deste por ser o líder máximo da Alemanha e também por serem pressionados pelos seguidores mais vividos dele. Isto, posteriormente, pode ter aumentado o número inicial de pessoas que começaram a provocar estas atrocidades o que aumentou a pressão de grupo para outros que, apesar de discordarem com os ideais de Hitler, tiveram de se tornar apoiadores do movimento para não serem excluídos (Conformismo). Também podemos falar sobre o efeito da normalização que, devido às novas normas da sociedade criadas pelo partido Nazi, tornou o maltrato a judeus e a outros grupos étnicos algo aceite e exaltado pela sociedade.
Fora isso, podemos também atribuir alguma culpa às representações sociais, às atitudes e as expectativas, que podem levar à discriminação devido a crenças que possuímos de outros grupos étnicos. Isto é, podemos ser ensinados pela nossa família ou sociedade a: ter baixas expectativas e a agir de maneira errada com uma determinada minoria. O que vai aumentar da chance de estes serem esquecidos e ostracizados pela maioria da população.
Podemos também atribuir a existência da maldade a algumas instâncias de emoções humanas, pois estas podem tornar o ser humano mais vingativo ou assustado do "desconhecido", isto é, com medo do que lhes é estranho, o que tornará outras culturas mais propícias a serem maltratadas. Algumas sociedades podem ainda "manipular" a nossa memória através das nossas emoções ao nos fazer associar determinados conceitos a um grupo social, como era o caso dos nazis que ensinavam as crianças a terem nojo dos judeus devido a características falsas que lhes eram atribuídas, por exemplo: "os judeus são nojentos porque, têm barbas cheias de lixo e estão sempre a pensar sobre como roubar dos outros.". O que passará a levar crianças inocentes a, quando crescerem, repugnar um determinado grupo racial ou cultura.
Existem também outros casos mais específicos em que se verifica a prática do mal, como as diferenças que as várias culturas possuem entre si, o que pode também levar ao preconceito, ainda que a globalização seja predominante no nosso mundo moderno. Podemos também levantar a atenção para dois casos ainda mais peculiares, como é o dos psicopatas e o dos sociopatas, que, normalmente, são mais propícios a praticar o mal se não forem acompanhados psicologicamente, pois possuem algumas deficiências em algumas áreas do cérebro (área pré-frontal pouco desenvolvida no caso dos psicopatas) e porque foram marcados ao longo das suas vidas (acontecimentos marcantes no caso dos sociopatas). Aprofundando o caso dos sociopatas, podemos também utilizar a temática de "tornei-me malvado porque me trataram mal" de um modo mais geral, pois pessoas que sofreram bullying ou algum tipo de abusos enquanto crianças são mais propícias a praticar bullying enquanto crescem ou abusos enquanto adultas (aprendizagem por imitação).
No geral, a maldade e o que leva as pessoas a prejudicarem-se está conectado a vários fenómenos e conceitos (que posso não ter conseguido indicar), cada ação maligna possui uma justificação para ter ocorrido, tornando muito difícil criar uma resposta que explica todas as ações maldosas deste mundo. Mesmo assim, posso afirmar que o meu percurso nesta disciplina ensinou-me conceitos que podem sim, ser utilizados para explicar a maldade que ocorre em muitos casos do nosso mundo.

Apesar disto, eu não queria terminar esta página de uma maneira tão sombria, a verdade é que, através da disciplina de psicologia também entendi o porque de os humanos serem tão especiais e capazes de serem altruístas e bondosos, algo que normalmente não é observado na natureza e vem da nossa mente, do mesmo sítio que o mal. Isto é observado através dos nossos heróis do dia a dia, afinal, quem é que pode dizer que: nunca foi a uma praia e viu, pelo menos uma vez, uma placa a homenagear alguém que se sacrificou num dia de tempestade para salvar outras pessoas?; ou que nunca viu na televisão ou na internet a história de alguém que decidiu ajudar outra pessoa com problemas sem necessitar de recompensa; ou mais pessoal ainda, quem é que nunca foi ajudado por um indivíduo que não era um familiar e acabou por nunca pedir nada em troca? A verdade é que o ser humano não é como os outros animais, no contexto em que possuí a capacidade de provocar mal e bem a níveis nunca antes observados no reino animal. Cabe-nos a nós, mantermos a nossa mentalidade normal no tipo de situações indicadas ao longo desta página para tornar o mundo num lugar melhor.
